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Conheça um pouco a história da ferrovia em Ibiá

iA linha-tronco da RMV foi construída originalmente pela E. F. Oeste de Minas a partir da estação de Ribeirão Vermelho, onde a linha de bitola de 0,76 chegou em 1888. A partir daí, a EFOM iniciou seu projeto de ligar o sul de Goiás a Angra dos Reis, passando por Barra Mansa por bitola métrica: construída em trechos, somente em 1928 a EFOM chegou a Angra dos Reis, na ponta sul, e no início dos anos 1940 a Goiandira, em Goiás, na ponta norte, e já agora como Rede Mineira de Viação. A linha chegou a ser eletrificada entre Barra Mansa e Ribeirão Vermelho, e transportou passageiros até o início dos anos 1990. Nos anos 1970, o trecho final norte entre Monte Carmelo e Goiandira foi erradicado devido à construção de uma represa no rio Paranaíba, e a linha foi desviada para oeste encontrando Araguari. Hoje a linha, já não mais eletrificada, é operada pela concessionária FCA.

A ESTAÇÃO

A estação de São Pedro de Alcântara foi inaugurada em 1913 pela E. F. Goiaz, que, na época do início da construção do ramal para Uberaba (1920), faliu e foi incorporada, com a linha-tronco e o ramal, pela E. F. Oeste de Minas. Nos anos 1920, o nome da estação foi alterado para Ibiá. É o ponto de saída do ramal para Uberaba. A linha, na verdade, se bifurca em São Pedro, estação seguinte do tronco e que herdou o nome original da estação de Ibiá. A estação de Ibiá ainda mantém bom movimento em seu pátio. De Ibiá a Uberaba havia um trem de passageiros desde que a linha ficou pronta, em 1926. Esse trem durou até o final dos anos 1970. Por outro lado, havia outro trem, o da linha-tronco da RMV. O trem de passageiros dessa linha-tronco foi se desfazendo em diversos trens durante os anos 1970, vários trechos ficaram sem ele, mas até o final dos anos 1980 ainda partia um trem de passageiros diário de Ibiá, fazendo a rota Ibiá-Monte Carmelo. “Em 1947, seis meses antes de seu falecimento, Leopoldo de Miranda viajou até Araxá para observar um eclipse com seu filho Heráclito e a esposa deste, Consuelo. Escreveu Leopoldo um diário de lembrança desta viagem: “Saímos de Belo Horizonte na R. M. V. às 21 horas de 17 de Maio de 1947. Andamos 9 horas de noite. Logo ao amanhecer do dia 18, pus-me em observação: vi roças de milho-tambueiras, uma outra com espigas regulares; gado vacum em boa quantidade, mas cavalar insignificante. Abacaxi em grande quantidade, – uma estação tomou-lhe o nome: “Abacaxis”. Ainda há muitos ranchos de capim. Cana de açúcar em quantidade, bananeiras bastante! Às 9 e meia horas vi uma fazenda com gado e laranjeiras de fazer inveja!… Na beira da estrada até grande distancia vêm-se um capinzal de diversas qualidades, ainda muito verdes. Tigre, estação depois de Bambuí, – grande quantidade de lenha na margem; Tigre é rodeada de morros – capim e bambual. Em Tigre há tábuas de pouca largura; há um fundangão – passa um ribeirão volumoso. Uruburetama, – parada, algumas casas. A R. M. V. toma todas as direções – dos 4 pontos cardeais… Uma fazenda grande – gado vacum. Um túnel de segundos de escuridão! Campos Altos. Às 8 e meia horas chá com pão. O trem matou um cavalo!… Itamarati – grande coqueiral de macaúbas! Almoçamos na R. M. V.: eu, Heráclito e Consuelo; esta teve um pequeno enjôo. Tobaty adiante; Riacho Corumbá. Uma fazenda com 2 éguas paridas – gado vacum e cavalar; residência do engenheiro da Rede. Ibiá – cidade banhada pelo rio Corumbá; tem charqueada; ponte: a melhor da zona circunvizinha. Estação de Estevão Lobo. Na caixa d’água demoramos 30 minutos e partimos às 4 horas e 40 minutos. Há criação de porco e galinha. Tamanduapava – grotas, sucavões, florestas seculares! Chegamos às 17 horas e 30 minutos à Cidade do Araxá. Fomos de automóvel para o Grande Hotel de Barreiro, quartos 452 e 453″ (Diário de Lembranças de Leopoldo de Miranda, 1947).

Em 2009 a estação estava pintada com as cores da FCA (Ferrovia Centro-Atlântica).


(Fontes: Pedro Paulo Rezende, 2009; Jonathan Sobral, 2003; RFFSA: horário de trens de passageiros, 1988; Leopoldo de Miranda: Diário de Lembranças, 1947; Guia Geral de Estradas de Ferro do Brasil, 1960; IBGE, 1957)

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