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El Niño ganha força e pode atingir intensidade histórica até o fim do ano, alerta NOAA

  • 9 de jul.
  • 4 min de leitura

Fenômeno climático tem 81% de chance de alcançar a categoria "muito forte" entre outubro e dezembro e pode provocar extremos de chuva, calor e seca em diversas regiões do Brasil.



O fenômeno climático El Niño está se fortalecendo de forma acelerada e pode atingir uma intensidade histórica nos próximos meses. A mais recente atualização do Centro de Previsão Climática (CPC), da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), divulgada nesta quinta-feira (9), aponta que há 81% de probabilidade de o fenômeno alcançar a categoria "muito forte" entre os meses de outubro e dezembro de 2026.


A projeção representa um aumento significativo em relação aos boletins anteriores e acende um alerta para governos, produtores rurais, setores de abastecimento de água e defesa civil em diversos países, incluindo o Brasil.


Segundo a NOAA, existe ainda 97% de probabilidade de o El Niño permanecer ativo durante todo o inverno e a primavera do Hemisfério Norte, indicando que seus efeitos poderão ser sentidos por um longo período.


O que é o El Niño?


O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera em escala global, modificando o regime de chuvas, as temperaturas e a ocorrência de eventos climáticos extremos em diversas partes do planeta.


Embora ocorra de forma natural, seus impactos têm sido potencializados pelo aquecimento global, tornando alguns eventos mais intensos e aumentando a frequência de ondas de calor, secas prolongadas e chuvas intensas.


Um dos mais fortes da história


De acordo com os meteorologistas do CPC, as temperaturas da superfície do mar continuam aumentando rapidamente, enquanto os ventos alísios seguem enfraquecidos, cenário típico de um El Niño em intensificação.


Caso as previsões se confirmem, o episódio de 2026 poderá integrar o seleto grupo dos eventos classificados como "muito fortes", ao lado dos registrados em 1982–1983, 1997–1998 e 2015–2016, que ficaram marcados por impactos expressivos em diversas regiões do mundo.


A classificação é baseada na anomalia da temperatura da região conhecida como Niño 3.4, no Oceano Pacífico. Quando essa temperatura permanece mais de 2°C acima da média durante vários meses consecutivos, o fenômeno passa a ser considerado muito forte.


Como o Brasil pode ser afetado?


Embora a intensidade dos impactos varie de uma região para outra, os modelos climáticos indicam alguns padrões normalmente associados ao El Niño.


Na Região Sul, a tendência é de chuvas acima da média, aumentando o risco de enchentes, deslizamentos e temporais.


No Sudeste, a previsão aponta para temperaturas mais elevadas durante a primavera e o verão, além de períodos de chuva intensa intercalados por intervalos de estiagem.


No Centro-Oeste, o calor também tende a aumentar, acompanhado por redução das chuvas em determinados períodos e maior risco de queimadas.


Já no Norte e em parte do Nordeste, o fenômeno costuma provocar diminuição das precipitações, favorecendo estiagens prolongadas, queda no nível dos rios e dificuldades para o abastecimento de água.


Especialistas ressaltam que esses efeitos podem variar conforme a interação do El Niño com outros sistemas atmosféricos que atuam sobre a América do Sul.


Reflexos para Minas Gerais


Em Minas Gerais, os efeitos do fenômeno costumam ser sentidos principalmente pelo aumento das temperaturas e pela irregularidade das chuvas.


No Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, regiões onde a agricultura possui grande importância econômica, mudanças no regime de precipitações podem influenciar diretamente culturas como café, milho, soja, feijão e cana-de-açúcar.


Além da produção agrícola, períodos prolongados de calor também podem elevar o consumo de água e energia elétrica, aumentando a pressão sobre os sistemas de abastecimento e reservatórios.


Especialistas recomendam que produtores rurais acompanhem os boletins meteorológicos e adotem estratégias para minimizar possíveis prejuízos, especialmente durante o período de plantio da próxima safra.


Agricultura em alerta


A agricultura é um dos setores mais sensíveis às alterações provocadas pelo El Niño.


Dependendo da região, o excesso ou a falta de chuva pode comprometer o desenvolvimento das lavouras, favorecer o aparecimento de doenças, reduzir a produtividade e elevar os custos de produção.


Ao mesmo tempo, algumas áreas do Sul do país podem registrar ganhos temporários em determinadas culturas devido ao aumento das precipitações.


Possibilidade de novos recordes de calor


Os cientistas também chamam atenção para outro efeito importante.

O calor liberado pelo Oceano Pacífico durante um El Niño intenso contribui para elevar a temperatura média do planeta. Como a Terra já enfrenta um cenário de aquecimento provocado pelas emissões de gases de efeito estufa, a combinação desses fatores aumenta a probabilidade de novos recordes de temperatura global e de eventos climáticos extremos.


Ondas de calor mais intensas, incêndios florestais, secas severas e chuvas torrenciais estão entre os fenômenos que podem ocorrer com maior frequência durante esse período.


Monitoramento continuará nos próximos meses


Apesar da elevada probabilidade de intensificação, a NOAA destaca que o fenômeno continuará sendo monitorado mês a mês.


As próximas atualizações do Centro de Previsão Climática serão fundamentais para confirmar se o El Niño de 2026 realmente atingirá níveis comparáveis aos maiores eventos registrados nas últimas décadas.


Enquanto isso, especialistas recomendam que autoridades, produtores rurais e a população acompanhem os boletins oficiais e adotem medidas preventivas diante da possibilidade de alterações significativas nas condições climáticas ao longo do segundo semestre.

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