Homem é preso após atear fogo em cadela para atingir ex-companheira em Passos
- 24 de jul.
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Animal não resistiu às graves queimaduras; caso provocou indignação e reacendeu o alerta sobre a relação entre maus-tratos a animais e violência doméstica.

Um crime de extrema crueldade chocou moradores de Passos, no Sul de Minas Gerais, nesta semana. Uma cadela morreu após ser incendiada, supostamente pelo ex-companheiro de sua tutora, que teria cometido o ato com o objetivo de causar sofrimento psicológico e emocional à mulher. O caso gerou forte comoção, revolta nas redes sociais e mobilizou defensores da causa animal em todo o estado.
De acordo com informações da Polícia Militar, o suspeito, de 39 anos, foi preso em flagrante na quinta-feira (23). Conforme os relatos iniciais, ele teria discutido com a ex-companheira e, em seguida, utilizado o animal como instrumento de vingança. Após deixar o local, retornou e ateou fogo na cadela, provocando ferimentos gravíssimos.
O pedido de socorro chegou rapidamente às autoridades e também à vereadora Gilmara Oliveira, conhecida por atuar na defesa dos animais. Ao chegar à residência, ela encontrou a cadela agonizando, com grande parte do corpo atingida pelas chamas. O animal foi resgatado às pressas e encaminhado para atendimento veterinário especializado.
Apesar de todos os esforços da equipe médica para salvar sua vida, a cadela não resistiu à gravidade das queimaduras e morreu pouco tempo depois.
A morte do animal intensificou a indignação da população, que passou a cobrar punição rigorosa para o responsável.
Prisão em flagrante
Após o crime, equipes da Polícia Militar iniciaram buscas e localizaram o suspeito em pouco tempo.
Durante a abordagem, os policiais apreenderam uma faca, um recipiente contendo líquido inflamável e um isqueiro, materiais que poderão reforçar as provas reunidas pela investigação.
Segundo a PM, o homem admitiu ter cometido o crime com a intenção de atingir emocionalmente a ex-companheira, utilizando o animal como forma de causar dor e sofrimento.
Ele foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil, onde permaneceu à disposição da Justiça.
Investigação continua
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar todas as circunstâncias do caso.
Além do crime de maus-tratos a animal com resultado morte, os investigadores também analisam possíveis crimes relacionados à violência doméstica, considerando que o ataque teria sido motivado pelo desejo de intimidar e provocar sofrimento psicológico à ex-companheira.
As investigações seguem em andamento.
Maus-tratos que vão além da violência contra o animal
Especialistas em proteção animal e em enfrentamento à violência doméstica alertam que casos como este representam muito mais do que um episódio isolado de crueldade.
Estudos nacionais e internacionais apontam que agressores frequentemente utilizam animais de estimação para controlar, ameaçar ou intimidar vítimas de relacionamentos abusivos. Ferir ou matar um animal querido pode provocar intenso sofrimento emocional e funcionar como uma forma de violência psicológica.
Entidades ligadas ao bem-estar animal também destacam que a crueldade contra animais é considerada um importante sinal de alerta para outras formas de violência, reforçando a necessidade de atuação conjunta entre órgãos de segurança, assistência social e proteção animal.
O que diz a lei
Desde 2020, a legislação brasileira prevê punições mais severas para quem pratica maus-tratos contra cães e gatos.
A Lei Federal nº 14.064 estabelece pena de reclusão de dois a cinco anos, além de multa e proibição da guarda de animais para quem cometer esse tipo de crime.
Dependendo das conclusões da investigação, o suspeito também poderá responder por delitos relacionados à violência doméstica, caso fique comprovado que utilizou o animal como instrumento para ameaçar ou causar sofrimento psicológico à ex-companheira.
Um crime que comove e exige reflexão
Mais do que a perda de um animal, o episódio ocorrido em Passos evidencia uma realidade que ainda desafia a sociedade: a violência pode atingir diferentes formas de vida e, muitas vezes, é utilizada como ferramenta para ferir pessoas emocionalmente.
A imagem de uma cadela lutando pela própria vida após ser vítima de um ato de extrema crueldade deixou marcas profundas na comunidade e reacendeu o debate sobre a importância das denúncias, da proteção aos animais e do combate à violência doméstica.
Casos como este reforçam que denunciar maus-tratos não é apenas um ato de defesa dos animais. Muitas vezes, pode ser também o primeiro passo para interromper um ciclo de violência que ameaça vidas humanas e não humanas.







































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