Minas inicia processo para registrar o “Mineirês” como bem cultural
- 6 de mai.
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Governo de Minas oficializa estudo técnico junto ao Iepha-MG para proteger a identidade linguística e a diversidade dos falares regionais no estado.

Mais do que uma forma de encurtar palavras ou um sotaque carregado, o modo de falar do mineiro está prestes a ganhar o status oficial de tesouro do estado. Durante a abertura do 41º Congresso Mineiro de Municípios, o governador em exercício, Mateus Simões, anunciou o envio de um despacho ao Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) para dar início aos estudos que visam reconhecer o “mineirês” como Patrimônio Cultural Imaterial.
A iniciativa busca salvaguardar a riqueza das expressões, cadências e o jeito único de acolher que define a identidade de quem nasce ou vive entre as montanhas das Alterosas.
O Caminho para o Registro
O processo não é apenas uma homenagem simbólica, mas um rigoroso rito técnico. A partir do despacho, o Iepha-MG inicia uma fase de diagnóstico profundo que inclui:
Pesquisas de Campo: Mapeamento de expressões e vocabulários regionais.
Escutas e Registros: Coleta de depoimentos e registros sonoros de diversas comunidades.
Elaboração de Dossiê: Um documento técnico detalhado que servirá de base para a decisão final.
Após a conclusão dessa etapa, o dossiê será submetido ao Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep). Caberá aos conselheiros a deliberação e a votação que poderá selar o reconhecimento oficial do mineirês por meio do Registro de Bem Cultural de Natureza Imaterial.
Muito Além do "Uai" e do "Trem"
O estudo terá o desafio de abraçar a vasta extensão territorial de Minas Gerais. O governo enfatizou que a análise não focará em um sotaque único, mas na diversidade regional, respeitando as particularidades de cada território:
Território | Foco do Estudo |
Norte e Jequitinhonha | A herança dos falares sertanejos e influências históricas. |
Triângulo e Cerrado | O ritmo próprio e as expressões da vida agropecuária. |
Sul e Zona da Mata | As cadências específicas e interações com estados vizinhos. |
Região Central | A preservação do "causo" e a hospitalidade característica. |
Proteção Contra o Preconceito Linguístico
Um dos pontos centrais da proposta é o combate ao preconceito linguístico e à redução do mineirês a meras caricaturas. O estudo pretende observar como o dialeto se comporta em diferentes ambientes:
Educação e Família: Como o mineirês é transmitido entre gerações e sua presença nas escolas.
Artes e Redes Sociais: A influência do falar mineiro na música, literatura e na nova economia digital.
Turismo: O "jeito de acolher" como um ativo econômico e cultural.
"O mineirês é uma ferramenta de identidade. Proteger nossa fala é proteger a história das nossas famílias e a forma como nos conectamos com o mundo," destacou a gestão estadual durante o evento promovido pela Associação Mineira de Municípios (AMM).
Se aprovado, o registro garantirá políticas públicas de fomento e preservação, assegurando que o mineirês continue sendo, por muito tempo, a trilha sonora oficial da vida em Minas.








































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