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Obra literária de escritora ibiaense será homenageada pela Portela no carnaval carioca

Atualizado: 13 de fev.

A azul e branco carioca irá recontar os caminhos imaginados da história da mãe Preta, Luíza Mahim, em seu enredo intitulado 'Um Defeito de Cor'.

Imagem: Portela/Divulgação.

Nesse Carnaval, os ibiaenses terão um motivo mais que especial para acompanhar o desfile da Portela na Marquês de Sapucaí. A escola de samba promete emocionar e encantar o público com uma homenagem à obra-prima da literatura contemporânea brasileira, "Um defeito de cor", da escritora ibiaense Ana Maria Gonçalves. A azul e branco carioca irá recontar os caminhos imaginados da história da mãe Preta, Luíza Mahim, em seu enredo intitulado 'Um Defeito de Cor'.


Com este enredo, a escola de Madureira visa não apenas celebrar a literatura nacional, mas também destacar a força e a resiliência das mulheres negras, bem como as heroínas pretas do Brasil. A perspectiva feminina durante o período da escravidão, um dos pontos fortes do livro, será trazida à vida pelas alas e alegorias da Portela.


A saga de Kehinde, conhecida no Brasil como Luísa Mahin, será o cerne do desfile da Portela. Kehinde foi "laçada" aos oito anos de idade em Daomé, na África, e transportada em um navio negreiro junto com sua irmã gêmea e avó para serem escravizadas no Brasil. O enredo da Portela retratará Kehinde recebendo uma carta de seu filho Luís Gama, renomado advogado, jornalista e patrono da abolição da escravidão no Brasil, na qual ele enaltece o legado deixado por sua mãe, conforme narrado no livro.


Para Fernanda Felisberto, professora de literatura da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e pesquisadora das experiências de escrita de autoria negra brasileira e da diáspora africana, a importância de trazer um enredo baseado no livro "Um defeito de cor" vai além da celebração da literatura. Segundo ela, é uma forma de garantir o direito à memória e reconhecer as contribuições das mulheres negras para a construção da sociedade brasileira.


"Significa ficcionalmente trazer para o público brasileiro que a história da população negra brasileira não começa nos navios escravagistas, ela é anterior a isso. Foi um erro de rota para que essas pessoas chegassem aqui. Agora todo mundo tinha vida, tinha história, tinha família, tinha afeto do outro lado. Não por acaso ela [Portela] começa essa saga dessa mulher a partir do território africano”, explica Fernanda Felisberto.

Com este enredo, a Portela se prepara para mais do que um desfile de Carnaval, mas sim uma celebração da cultura, da história e da luta das mulheres negras no Brasil.


O desfile da Portela será no próximo dia 12/2, a partir das 23h15, com transmissão pela TV Globo.


Confira a letra do samba


O samba genuinamente preto

Fina flor, jardim do gueto

Que exala o nosso afeto

Me embala, oh! mãe, no colo da saudade


Pra fazer da identidade nosso dialeto

Omoduntê, vim do ventre do amor

Omoduntê, pois assim me batizou

Alma de Gege e a justiça de Xangô

O teu exemplo me faz vencedor

Sagrado feminino ensinamento

Feito águia corta o tempo

Te encontro ao ver o mar

Inspiração a flor da pele preta

Tua voz, tinta e caneta

No azul que reina Yemanjá


Salve a lua de Bennin

Viva o povo de Benguela

Essa luz que brilha em mim

E habita a Portela

Tal a história de Mahin

Liberdade se rebela

Nasci quilombo e cresci favela!


Orayeye oxum, Kalunga!

É mão que acolhe outra mão, macumba!

Teu rosto vestindo o adê

No meu alguidar tem dendê

O sangue que corre na veia é Malê!

Em cada prece, em cada sonho, nêga

Eu te sinto, nêga

Seja onde for

Em cada canto, em cada sonho, nêgo

Eu te cuido, nêgo cá de onde estou

Saravá Keindhe! Teu nome vive!

Teu povo é livre! Teu filho venceu, mulher!

Em cada um nós, derrame seu axé!






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