Zema projeta economia de R$ 10 trilhões, mas gera crise ao sugerir trabalho infantil
- 4 de mai.
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Entre propostas de austeridade fiscal e falas controversas sobre menores de idade, pré-candidato do Novo tenta equilibrar agenda econômica com desgaste de imagem.

BELO HORIZONTE – O governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), intensificou sua agenda de exposição nacional nos últimos dias. Em uma série de entrevistas, o gestor mineiro apresentou números ambiciosos para a economia do país, mas acabou mergulhado em uma crise de relações públicas após declarações polêmicas sobre o trabalho de crianças e adolescentes.
O "Plano de R$ 10 Trilhões"
Durante participação no programa Canal Livre, Zema detalhou o que chama de "agenda de salvação fiscal". O governador defende que, por meio de reformas estruturantes, o Brasil poderia poupar R$ 10 trilhões em 20 anos. A estratégia baseia-se em quatro pilares principais:
Reforma Administrativa: Redução do peso da máquina pública e revisão de carreiras do funcionalismo.
Nova Reforma Previdenciária: Ajustes para conter o déficit de longo prazo.
Privatizações: Defesa intransigente da desestatização de empresas públicas federais.
Revisão de Benefícios: Um "pente-fino" em programas sociais para focar no que ele define como público de extrema necessidade.
No campo da segurança pública, Zema também adotou um tom mais punitivista, defendendo o endurecimento das penas para crimes contra mulheres, tentando dialogar com uma base eleitoral que prioriza a pauta de costumes e segurança.
A Polêmica do Trabalho Infantil
A imagem de gestor técnico, no entanto, sofreu um revés após sua participação no podcast Inteligência Ltda, ocorrida no Dia do Trabalhador. Ao discutir educação e formação profissional, Zema afirmou que crianças poderiam realizar "tarefas simples" e que o impedimento estatal para essas atividades seria uma forma de "escravizar a criança", privando-a de aprendizado.
"Se você proíbe a criança de trabalhar, você está escravizando a criança a ser um ignorante", declarou o governador na ocasião.
A reação foi imediata. Especialistas em direitos da infância, juristas e adversários políticos lembraram que o trabalho infantil é proibido pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), salvo na condição de aprendiz a partir dos 14 anos.
Recuo e Readequação
Após a repercussão negativa, a assessoria e o próprio governador buscaram modular o discurso. Zema substituiu o termo "crianças" por "adolescentes", focando na necessidade de ampliar o ensino técnico e a inserção de jovens no mercado de trabalho de forma legal. Apesar da correção semântica, o entendimento de que a legislação atual é "rígida demais" foi mantido pelo pré-candidato.
Análise do Cenário
Analistas políticos apontam que o episódio ilustra o maior desafio de Zema na corrida presidencial: furar a bolha mineira sem cometer deslizes de comunicação. Enquanto suas propostas econômicas agradam ao mercado financeiro e ao setor produtivo, falas que flertam com a revisão de direitos fundamentais podem elevar seus índices de rejeição em estratos mais vulneráveis da população.
Com as eleições de 2026 no horizonte, o desafio do Novo será consolidar Zema como uma alternativa viável à polarização, equilibrando o rigor fiscal com a sensibilidade social exigida para um cargo de nível federal.








































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