Março Lilás: Casos de Câncer de Colo do Útero Devem Crescer 14% no Brasil até 2028
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Estimativas do INCA apontam 19 mil novos diagnósticos anuais; especialistas alertam que vacinação contra o HPV e exames de rotina são as principais armas contra a doença.

O Brasil enfrenta um paradoxo preocupante na saúde pública: embora o câncer de colo do útero seja uma das poucas neoplasias que podem ser prevenidas por vacina, ele continua sendo a principal causa de morte por câncer entre mulheres de até 35 anos. O alerta ganha força com a abertura do Março Lilás, mês de conscientização sobre a doença, e novos dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA).
De acordo com o INCA, a estimativa para o triênio de 2026 a 2028 é de mais de 19 mil novos casos por ano. O número representa um salto de 14% em comparação ao período de 2022-2025, evidenciando a urgência de ampliar a cobertura vacinal e o acesso a diagnósticos precoces.
O Inimigo Invisível: O Papilomavírus Humano (HPV)
A ciência é categórica: 99% dos casos de câncer de colo do útero estão relacionados à infecção pelo HPV. O vírus é transmitido pelo contato genital durante relações sexuais, independentemente do tipo de prática.
“Temos tipos oncogênicos e não oncogênicos. Os oncogênicos alteram todo o controle de qualidade celular, gerando células malformadas e lesões pré-malignas que, se não tratadas, evoluem para o câncer”, explica a ginecologista Susana Aidê, presidente da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da Febrasgo.
A médica reforça que a doença pode levar décadas para se manifestar após a infecção inicial, o que torna o acompanhamento constante vital. "É uma realidade que precisamos mudar", afirma.
Prevenção e Diagnóstico: Onde estamos falhando?
A vacina contra o HPV está disponível no Programa Nacional de Imunizações (PNI) desde 2014, mas a adesão ainda enfrenta barreiras. Atualmente, o SUS oferece a vacina quadrivalente para diversos grupos (veja tabela abaixo). Na rede privada, também está disponível a versão nonavalente, que amplia a proteção.
Quem pode se vacinar no SUS?
Público-Alvo | Faixa Etária |
Meninas e Meninos | 9 a 14 anos (com catch-up até 19 anos) |
Pessoas vivendo com HIV/Aids | Até 45 anos |
Transplantados (órgãos/medula) | Até 45 anos |
Usuários de PrEP | 15 a 45 anos |
Vítimas de violência sexual | 15 a 45 anos |
Pacientes oncológicos | Até 45 anos |
Além da vacina, o exame de Papanicolau e o teste de DNA do HPV são fundamentais. Segundo Márcia Datz Abadi, diretora médica da MSD Brasil, identificar alterações em estágio inicial aumenta drasticamente as chances de cura. "Precisamos caminhar rumo à erradicação da doença", defende.
Conscientização e a "Casa Lilás"
Para marcar o início das ações de março, foi inaugurada em São Paulo, nesta quinta-feira (26/2), a Casa Lilás. O espaço, idealizado pela MSD Brasil, promoverá palestras, eventos interativos e momentos de conversa sobre autocuidado e prevenção. Com ambientação pensada para as redes sociais, o local busca atrair o público jovem e desmistificar tabus sobre a saúde sexual.
Um dos pontos cruciais da campanha é lembrar que o HPV não é uma "doença de mulher". Estima-se que um em cada cinco homens apresente tipos de HPV de alto risco. Vacinar meninos é, portanto, uma estratégia de proteção coletiva que interrompe a cadeia de transmissão do vírus.







































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