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Após desistência, arrependimento e veto do partido, Cleitinho é confirmado candidato ao Governo de Minas

  • há 1 dia
  • 6 min de leitura

Republicanos voltou atrás e autorizou a candidatura do senador na noite desta sexta-feira (7); reviravolta encerra uma das maiores crises políticas da pré-campanha mineira, mas também deixa questionamentos sobre o desgaste provocado pelas sucessivas mudanças de posição


Deputado Marcos Pereira e senador Cleitinho. Imagem: Redes sociais/Reprodução.
Deputado Marcos Pereira e senador Cleitinho. Imagem: Redes sociais/Reprodução.

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) está na disputa pelo Governo de Minas Gerais. Depois de anunciar a desistência da candidatura, arrepender-se da decisão e enfrentar uma negativa da própria direção nacional do partido, o parlamentar conseguiu, na noite desta sexta-feira (7), recuperar o apoio do Republicanos e foi confirmado como candidato da legenda.


A confirmação ocorreu após uma nova reunião com o presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira. Cleitinho reconheceu os erros cometidos durante o processo, pediu desculpas à direção do partido, aos aliados e à população mineira e assumiu o compromisso de manter a candidatura até o fim da disputa.


Em nota oficial, o Republicanos confirmou que terá Cleitinho como candidato ao Governo de Minas e declarou encerrado o episódio.


"A decisão está tomada", afirmou a legenda, ao anunciar que Cleitinho assumirá a responsabilidade de cumprir os compromissos firmados com o partido, seus candidatos e aliados.


A decisão representa uma nova mudança de posição do partido, que poucos dias antes havia decidido não lançar o senador.


Uma semana de reviravoltas


A candidatura de Cleitinho vinha sendo marcada pela indefinição há meses. Embora aparecesse entre os nomes mais competitivos nas pesquisas para o Governo de Minas, o senador demorou a confirmar de maneira definitiva que pretendia disputar o cargo. A situação se agravou durante o período das convenções partidárias.


No dia 25 de julho, Cleitinho não participou da convenção estadual do Republicanos. Na ocasião, o senador enfrentava um momento pessoal delicado em razão da morte de seu irmão, Matheus Azevedo.


Poucos dias depois, em 29 de julho, o Republicanos decidiu que não contaria com Cleitinho para a disputa pelo Governo de Minas.


A decisão surpreendeu o cenário político mineiro, principalmente porque o senador aparecia em posição de destaque nas pesquisas eleitorais.


A direção da legenda passou então a trabalhar com outras possibilidades para a disputa.


Cleitinho tenta recuperar a candidatura


Depois de ser retirado dos planos do partido, Cleitinho reagiu e deixou claro que ainda pretendia disputar o Governo de Minas. O senador iniciou uma série de conversas com a direção nacional do Republicanos na tentativa de reverter a decisão.


A situação, entretanto, chegou a um ponto ainda mais inesperado na segunda-feira (3). Cleitinho anunciou publicamente que havia desistido da candidatura.


Em um pronunciamento marcado pela emoção, o senador afirmou que não disputaria mais o Governo de Minas. A decisão foi anunciada após novas conversas com a direção nacional do partido.


O que parecia ser o fim da candidatura, porém, durou pouco.


Senador se arrepende da desistência


No dia seguinte, Cleitinho voltou atrás. O senador afirmou que havia se arrependido da decisão e retomou os esforços para convencer o Republicanos a permitir sua candidatura. A situação provocou novo impasse dentro da legenda.


O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, chegou a resistir ao pedido. A direção partidária avaliava que a sequência de mudanças de posição poderia representar um risco para uma candidatura ao cargo de governador. O episódio passou a ser tratado publicamente como uma crise entre o senador e o partido.


Presidente do Republicanos fez críticas duras


Durante o impasse, Marcos Pereira manifestou preocupação com a instabilidade apresentada por Cleitinho. A avaliação da direção nacional era de que uma eleição para governador exige planejamento de longo prazo, estrutura partidária e segurança quanto à permanência do candidato na disputa.


O problema, portanto, deixou de ser apenas eleitoral e passou a envolver confiança política. A resistência do partido chegou a tal ponto que o Republicanos passou a considerar outros nomes para encabeçar sua chapa.


Especialistas apontaram desgaste político


A sucessão de decisões provocou críticas de especialistas em política. O cientista político Malco Camargos avaliou que Cleitinho havia perdido o chamado "timing" político ao demorar para definir sua candidatura.


Na avaliação do especialista, a demora e as sucessivas mudanças de posição poderiam provocar desgaste justamente em um momento em que o senador vinha construindo uma posição favorável nas pesquisas.


A principal crítica é que o episódio transmitiu ao eleitorado uma imagem de insegurança em relação a uma decisão que exige estabilidade e planejamento.


Por outro lado, os especialistas também reconhecem que Cleitinho possui uma vantagem eleitoral importante: sua capacidade de atrair votos de diferentes setores do eleitorado. Essa força eleitoral ajuda a explicar por que, mesmo depois de todo o conflito, o Republicanos decidiu voltar atrás.


Por que o partido mudou de ideia?


A mudança de posição do Republicanos ocorreu depois de uma nova rodada de negociações. Cleitinho viajou para São Paulo acompanhado de aliados e voltou a conversar pessoalmente com Marcos Pereira.


Durante a reunião, o senador reconheceu os erros cometidos, pediu desculpas e assumiu o compromisso de levar a candidatura até o final. Outro fator importante foi a pressão de integrantes do próprio Republicanos.


Uma candidatura competitiva ao Governo de Minas também interessa diretamente aos candidatos a deputado estadual e federal da legenda, que podem se beneficiar de uma chapa majoritária forte. Além disso, Cleitinho continua sendo considerado um dos nomes eleitoralmente mais competitivos da disputa. Diante desse cenário, o partido decidiu reverter a decisão anterior.


Republicanos confirma oficialmente


Na noite desta sexta-feira (7), o Republicanos divulgou a confirmação da candidatura. O comunicado afirmou que Marcos Pereira autorizou Cleitinho a disputar o Governo de Minas e que o partido terá candidato próprio. A legenda também informou que o senador deverá honrar os compromissos assumidos com o partido, seus candidatos e aliados.


Com isso, o impasse político que se arrastava desde o final de julho chegou, pelo menos por enquanto, ao fim.


Candidatura ainda precisa ser registrada na Justiça Eleitoral


Apesar da confirmação política, existe uma diferença importante entre a escolha partidária e o registro eleitoral.


Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as convenções partidárias para escolha dos candidatos ocorreram entre 20 de julho e 5 de agosto. O prazo final para os partidos apresentarem os pedidos de registro das candidaturas é 15 de agosto, até as 19h.


O próprio TSE explica que, após a escolha em convenção, os candidatos precisam formalizar o pedido de registro perante a Justiça Eleitoral. É nessa etapa que são analisados documentos, condições de elegibilidade e demais requisitos legais.


No caso de Cleitinho, a situação poderá provocar questionamentos justamente porque a confirmação definitiva ocorreu depois do encerramento do período das convenções.


Eventuais questionamentos deverão ser analisados pela Justiça Eleitoral caso sejam apresentados.


Isso significa que, politicamente, Cleitinho está confirmado pelo Republicanos, mas o processo eleitoral ainda terá uma etapa formal importante até a efetivação do registro da candidatura.


E o PL?


A indefinição envolvendo Cleitinho também provocou mudanças no campo político da direita mineira.


Durante o período em que o senador estava fora dos planos do Republicanos, o PL avançou com a candidatura de Flávio Roscoe ao Governo de Minas.


Depois da confirmação de Cleitinho, o senador afirmou que, caso o PL queira reconsiderar a decisão e apoiar sua candidatura, será bem-vindo.


Por enquanto, porém, o cenário permanece com candidaturas separadas.


Uma candidatura fortalecida ou desgastada?


A grande pergunta agora é qual será o efeito de toda essa crise sobre a imagem de Cleitinho diante do eleitor.


Por um lado, o senador conseguiu recuperar a candidatura que havia perdido e permanece no centro da disputa pelo Governo de Minas. Por outro, a sequência de acontecimentos deixou uma marca política.


Em poucos dias, Cleitinho passou de candidato em potencial para candidato rejeitado pelo próprio partido, depois anunciou a desistência, arrependeu-se, recebeu uma nova negativa e, finalmente, conseguiu novamente o aval da legenda.


Para especialistas, o episódio pode ter provocado desgaste na imagem de segurança e estabilidade que um candidato ao governo precisa transmitir.


Ao mesmo tempo, a decisão do Republicanos demonstra que a força eleitoral do senador continua sendo considerada relevante dentro da estratégia da legenda.


A novela chegou ao fim?


Depois de tantas reviravoltas, o Republicanos afirma que sim. Cleitinho agora terá de transformar a crise interna em discurso político e convencer o eleitor de que a decisão é definitiva.


A partir de 16 de agosto, começa oficialmente a propaganda eleitoral geral, conforme o calendário do TSE. Até lá, a principal preocupação será formalizar o registro da candidatura e organizar a chapa.


A eleição para o Governo de Minas, que já vinha sendo apontada como uma das mais disputadas do país, ganha novamente um personagem central.


E, desta vez, Cleitinho volta ao tabuleiro com o apoio oficial do partido que, poucos dias antes, havia decidido tirá-lo da disputa.


A diferença é que agora o senador terá uma tarefa adicional além de conquistar votos: recuperar a confiança de parte do próprio eleitorado e demonstrar que sua candidatura veio, finalmente, para ficar.

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