Araxá cobra respostas sobre falta de água, mas Copasa não comparece a audiência pública
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Moradores relatam interrupções prolongadas no abastecimento, enquanto vereadores cobram investimentos, transparência e planejamento para garantir segurança hídrica no município

A falta de água que vem atingindo diferentes regiões de Araxá foi tema de uma audiência pública realizada na tarde desta quarta-feira (26), na Câmara Municipal. O encontro foi convocado diante do aumento das reclamações de moradores sobre interrupções recorrentes no fornecimento e tinha como objetivo reunir população, Poder Público e a empresa responsável pelo abastecimento para discutir as causas do problema e buscar soluções.
A audiência, entretanto, terminou marcada pela ausência justamente da Copasa, concessionária responsável pelo serviço de abastecimento de água no município.
A realização do debate havia sido divulgada oficialmente pela Câmara Municipal, que classificou o assunto como de relevante interesse público. A iniciativa foi motivada pelas reclamações recebidas de moradores de diferentes bairros. Segundo relatos que chegaram ao Legislativo, algumas famílias chegaram a permanecer até cinco dias sem água em suas residências.
População relata dificuldades
Durante a audiência, moradores tiveram espaço para apresentar os problemas enfrentados diariamente em razão das interrupções no abastecimento.
O representante da comunidade Lucas Magalhães utilizou a tribuna para apresentar um histórico dos episódios de falta de água e das manutenções realizadas no sistema. Também cobrou maior transparência sobre questões relacionadas ao contrato de prestação do serviço, tarifas cobradas dos consumidores, investimentos, planos de contingência e planejamento para os próximos anos.
“A falta de água é uma questão de dignidade, saúde pública e desenvolvimento da cidade”, afirmou Lucas durante sua manifestação.
Os relatos apresentados durante o encontro apontaram que o problema não atinge apenas residências. Comerciantes e empresas também enfrentam dificuldades quando o abastecimento é interrompido por períodos prolongados, afetando atividades que dependem diretamente do fornecimento de água.
Copasa não compareceu
Um dos principais pontos de indignação durante a audiência foi a ausência da Copasa.
A companhia havia sido convidada para participar do encontro e prestar esclarecimentos sobre as interrupções, os investimentos realizados e previstos e as medidas adotadas para melhorar a regularidade do abastecimento. Apesar disso, não compareceu à audiência e, segundo informações divulgadas pela Câmara e pela imprensa local, não encaminhou justificativa para a ausência.
A ausência da concessionária acabou deixando sem resposta, durante o debate, uma série de questionamentos diretamente relacionados à prestação do serviço.
Também foram convidados representantes do Poder Executivo e do Ministério Público. A Prefeitura não enviou representantes, enquanto o Ministério Público encaminhou documento justificando sua ausência.
Vereadores cobram investimentos e planejamento
Diante da ausência da Copasa, os vereadores presentes concentraram as discussões na necessidade de cobrar providências e investimentos para garantir o abastecimento regular da população.
Entre os principais questionamentos estão a capacidade atual do sistema, a necessidade de ampliação da estrutura, os investimentos realizados no município, os valores arrecadados com as tarifas e quanto desses recursos retorna para Araxá na forma de obras e melhorias.
A preocupação apresentada durante a audiência é que a expansão da cidade precisa ser acompanhada por investimentos na infraestrutura de saneamento. Sem planejamento adequado, o aumento da população e do consumo pode ampliar ainda mais os problemas de abastecimento.
Os parlamentares também defenderam a necessidade de um plano de contingência capaz de reduzir os impactos provocados por falhas, manutenções e interrupções no sistema.
Problema já vinha sendo discutido
A audiência pública ocorreu depois de outras tratativas envolvendo o município e a Copasa.
Em julho deste ano, o prefeito Robson Magela participou de uma reunião com a presidência da companhia, em Belo Horizonte, para discutir investimentos e melhorias nos serviços de saneamento de Araxá.
O encontro tratou de questões relacionadas ao abastecimento de água e ao esgotamento sanitário, mostrando que as necessidades de melhorias na infraestrutura já estavam sendo discutidas institucionalmente antes da audiência realizada nesta semana.
Agora, diante da permanência das reclamações, vereadores e moradores cobram respostas mais concretas e medidas capazes de evitar que novas interrupções prolongadas voltem a ocorrer.
Uma pergunta que permanece sem resposta
O debate realizado na Câmara deixou uma questão central: por que Araxá continua enfrentando interrupções no abastecimento de água e quais investimentos são necessários para garantir que o problema não se repita?
Sem a presença da Copasa, não foi possível obter durante a audiência respostas da empresa para questões como a capacidade do sistema, as causas das interrupções, o cronograma de investimentos e as medidas previstas para garantir a regularidade do serviço.
Também permanecem questionamentos sobre os recursos arrecadados pela concessionária no município e o volume de investimentos efetivamente realizado em Araxá.
Próximos passos
Mesmo sem a presença da concessionária, a audiência serviu para reunir reclamações da população e formalizar cobranças do Legislativo.
A Câmara informou que deverá elaborar um manifesto registrando a indignação com a ausência da Copasa e cobrando providências diante dos recorrentes problemas de abastecimento.
O Legislativo também sinalizou que continuará acompanhando a situação e cobrando informações e soluções.
Enquanto isso, moradores continuam esperando que o debate se transforme em ações concretas.
Para quem abre a torneira e encontra apenas ar, a discussão sobre abastecimento deixou de ser uma questão meramente administrativa. É um problema que afeta a rotina das famílias, o funcionamento de empresas e comércios e, principalmente, o acesso a um serviço essencial.
E, diante dos relatos de moradores que chegaram a passar vários dias sem água, a cobrança agora é por respostas — e, principalmente, por soluções.












































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