Tragédia no Rio Grande: Delegado vai ouvir sobreviventes de acidente com lancha que matou seis pessoas
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"Não tem histórico recente, nos últimos dez anos, de algo parecido", afirmou o delegado responsável pelo inquérito. Acidente ocorreu na divisa de Minas com São Paulo, e vítimas voltavam de uma festa quando a embarcação atingiu um píer.

Enquanto as famílias sepultam seus entes, a Polícia Civil de Minas Gerais se prepara para dar o primeiro passo concreto na investigação da tragédia que chocou a região do Rio Grande. O delegado Rafael Jorge, responsável pelo caso, afirmou que os sobreviventes da colisão de uma lancha contra um píer, que matou seis pessoas na noite de sábado (21), serão ouvidos ainda nesta semana para esclarecer as circunstâncias do acidente.
Em entrevista, o delegado não escondeu a gravidade do ocorrido, classificando-o como uma tragédia sem paralelo na história recente da região.
“Nesta semana nós já vamos ouvir pessoas que sobreviveram para cada um dar sua versão e a gente fazer uma investigação completa desse fato que é uma tragédia que não tem histórico recente, nos últimos dez anos, de algo parecido”, declarou.
O acidente aconteceu na divisa entre Sacramento (MG) e Rifaina (SP). O grupo de 15 pessoas retornava de um show em um bar flutuante quando, já à noite, a lancha colidiu violentamente contra um píer às margens mineiras do Rio Grande.
Investigações paralelas e primeiras irregularidades

Paralelamente ao trabalho da Polícia Civil, a Marinha do Brasil já instaurou um inquérito administrativo. Peritos da Capitania Fluvial Tietê-Paraná estiveram em Sacramento no domingo (22) e já identificaram uma primeira irregularidade: a embarcação não poderia estar navegando no horário. De acordo com as normas marítimas, atividades de lazer como essa só são permitidas entre o nascer e o pôr do sol, a menos que a lancha possua luzes de navegação adequadas, o que não era o caso.
Os elementos coletados pelos peritos vão auxiliar na condução do Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN), que busca apurar causas e responsabilidades. O prazo inicial é de 90 dias.
As investigações também devem se aprofundar na questão da habilitação do condutor. A Polícia Militar de Sacramento informou que, segundo relatos de sobreviventes, Wesley Carlos da Costa, de 45 anos, a única vítima adulta do sexo masculino, pilotava a lancha, mas não possuía o registro de arrais amador, documento obrigatório para conduzir embarcações de pequeno porte.
O acidente e as vítimas
O impacto da batida contra o píer, que segundo testemunhas não possuía sinalização e iluminação adequadas, foi devastador. Parte dos ocupantes foi arremessada ao rio e outros ficaram presos sob o casco da lancha que virou. Os primeiros socorros foram prestados por testemunhas e pela Guarda Municipal de Rifaina, que retiraram três corpos da água antes da chegada dos bombeiros. Outros três foram encontrados por um mergulhador amador.
Os corpos das seis vítimas passaram por exames no Instituto Médico Legal (IML) de Araxá e foram liberados às famílias ainda no domingo. São elas:
Marina Rodrigues Matias, 22 anos, que comemorava o aniversário da amiga.
Viviane Aredes, 36 anos, aniversariante e mãe de Bento.
Bento Aredes Ferreira, 4 anos.
Wesley Carlos da Costa, 45 anos, piloto da lancha.
Juliana Fernanda de Oliveira Silva Ferreira, 40 anos.
Erica Fernanda Leal Lima, 40 anos.
Além das seis mortes, três pessoas ficaram feridas e foram levadas para atendimento médico em Rifaina. Outras seis pessoas que estavam na embarcação escaparam sem ferimentos aparentes. Segundo o Corpo de Bombeiros, apenas três das vítimas usavam colete salva-vidas no momento do acidente.
O estabelecimento de onde o grupo voltava, o Único Floating Bar, em Rifaina, informou que a festa terminou às 20h de sábado, dentro do horário de funcionamento, e permaneceu fechado no domingo em solidariedade às vítimas.
Agora, todas as atenções se voltam para os depoimentos dos sobreviventes, que devem começar a ser colhidos nos próximos dias, na esperança de que possam reconstituir os momentos finais que antecederam a tragédia.







































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