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Uso excessivo de celular pode agravar ansiedade, insônia e isolamento entre idosos, alerta estudo da UFMG

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Pesquisa aponta riscos à saúde mental e destaca aumento da vulnerabilidade a fake news e golpes digitais entre pessoas com mais de 60 anos.



O uso do celular tornou-se parte da rotina de milhões de brasileiros, inclusive entre a população idosa. Embora a tecnologia ofereça benefícios importantes, como a comunicação com familiares e o acesso à informação, um estudo realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) acende um alerta para os impactos negativos do uso excessivo desses dispositivos por pessoas com mais de 60 anos.


Segundo a pesquisa, o hábito pode estar associado ao aumento de quadros de ansiedade, insônia e sintomas depressivos, além de favorecer o isolamento social e a exposição a golpes virtuais.


A pesquisa da UFMG analisou estudos nacionais e internacionais sobre o comportamento digital da população idosa e identificou que muitos usuários desenvolvem uma relação de dependência com o aparelho. Entre os fenômenos observados está a chamada "nomofobia", caracterizada pelo medo ou desconforto de ficar longe do celular ou sem acesso à internet. O problema, frequentemente associado aos jovens, também foi encontrado entre idosos.


De acordo com os pesquisadores, o uso excessivo de telas pode provocar alterações no sono, reduzir a qualidade do descanso e contribuir para o surgimento ou agravamento de transtornos emocionais. A exposição prolongada a conteúdos digitais, especialmente em redes sociais, também pode gerar sentimentos de ansiedade e estresse.


Tecnologia traz benefícios, mas exige equilíbrio


Os especialistas ressaltam que a tecnologia não deve ser vista como uma vilã. Em muitos casos, aplicativos de mensagens e videochamadas ajudam a reduzir a sensação de solidão e fortalecem os vínculos familiares, especialmente para idosos que vivem sozinhos ou possuem mobilidade reduzida. O desafio está em encontrar um equilíbrio saudável entre o mundo digital e as atividades presenciais.


Segundo a terapeuta ocupacional e pesquisadora Renata Maria, citada no estudo, os impactos da tecnologia dependem da forma como ela é incorporada ao cotidiano. Quando o celular passa a substituir atividades sociais, exercícios físicos, lazer ao ar livre e interações presenciais, os prejuízos tendem a superar os benefícios.


Maior exposição a fake news e golpes digitais


Outro ponto de preocupação apontado pelos pesquisadores é a vulnerabilidade dos idosos à desinformação e aos crimes virtuais. Com o aumento do uso das redes sociais e aplicativos de mensagens, cresce também a circulação de notícias falsas e tentativas de fraude que têm como alvo pessoas dessa faixa etária.


Especialistas em inclusão digital destacam que muitos idosos iniciaram o contato com as tecnologias recentemente e, por isso, nem sempre possuem familiaridade com mecanismos de segurança online, verificação de fontes e identificação de conteúdos fraudulentos. Essa condição pode facilitar o compartilhamento involuntário de fake news e aumentar os riscos de golpes financeiros.


Envelhecimento saudável passa pela inclusão digital consciente


O alerta da UFMG ocorre em um momento em que o Brasil registra um rápido envelhecimento populacional. Dados e pesquisas da própria universidade mostram que a saúde mental da população idosa já enfrenta desafios importantes, tornando essencial a adoção de hábitos que promovam bem-estar, convivência social e qualidade de vida.


Os pesquisadores recomendam que familiares e cuidadores incentivem o uso consciente da tecnologia, estabelecendo períodos de descanso das telas, promovendo atividades presenciais e estimulando o desenvolvimento de habilidades digitais que permitam uma navegação mais segura na internet. O objetivo não é afastar os idosos da tecnologia, mas garantir que ela seja uma ferramenta de inclusão e não um fator de adoecimento ou isolamento.

 
 
 

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