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Anvisa autoriza primeiro estudo clínico com polilaminina em humanos

Proteína desenvolvida pela UFRJ há mais de 20 anos será testada em pacientes com lesão medular aguda.


Imagem: reprodução/Freepik
Imagem: reprodução/Freepik

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou nesta segunda-feira (5) o início de um estudo clínico de fase 1 para avaliar a segurança da polilaminina, proteína que demonstrou potencial para regenerar lesões na medula espinhal. Cinco pacientes com lesões recentes — ocorridas há menos de 72 horas e com indicação cirúrgica — receberão a substância.


A polilaminina é fruto de mais de duas décadas de pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Trata-se de uma versão recriada em laboratório da laminina, proteína presente no desenvolvimento embrionário e essencial para a conexão entre neurônios. O composto atua reprogramando o ambiente da lesão, marcado por cicatrizes ricas em moléculas inibitórias, e favorece a reconexão neural.


Nesta primeira etapa, o objetivo é verificar se a substância é segura para uso em humanos. A avaliação busca identificar riscos potenciais e estabelecer medidas de proteção aos participantes. Caso os resultados sejam positivos, o estudo poderá avançar para as fases 2 e 3, voltadas à comprovação da eficácia do tratamento.


Resultados anteriores em modelos animais e estudos iniciais já sugeriram benefícios. Em cães com lesão medular crônica, por exemplo, a aplicação da polilaminina foi considerada segura e associada a melhora progressiva da marcha, sem efeitos adversos graves. Os pesquisadores, no entanto, ressaltam que a proteína não deve ser vista como uma cura isolada, mas como parte de uma estratégia integrada de regeneração, que pode incluir fatores de crescimento e técnicas cirúrgicas.


Os locais de realização do estudo ainda serão definidos pela empresa patrocinadora e posteriormente informados à Anvisa. A expectativa da comunidade científica é que, caso os testes confirmem o potencial da polilaminina, o Brasil esteja diante de um avanço significativo na busca por terapias capazes de restaurar funções neurológicas em pacientes com lesões graves na medula espinhal.

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