CPMI do INSS investiga repasses a grandes igrejas e pastores em esquema de fraudes contra aposentados
- ibiaemfoco
- há 17 horas
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Comissão apura se recursos desviados de benefícios previdenciários foram transferidos a líderes religiosos e instituições ligadas a eles; quebras de sigilo e convocações estão em análise

Brasília/DF – A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ampliou o foco de suas apurações e passou a examinar movimentações financeiras que indicam repasses de recursos a grandes igrejas e pastores, segundo relatos de integrantes da comissão e documentos analisados ao longo das investigações.
A CPMI apura um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões, realizados sem autorização dos beneficiários, por meio de associações, entidades de fachada e empresas intermediárias. Parte dos valores arrecadados ilegalmente teria sido redistribuída por meio de transferências consideradas atípicas, agora sob análise dos parlamentares.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e da Receita Federal, examinados pela comissão, indicam que recursos provenientes de entidades investigadas circularam por contas vinculadas a líderes religiosos e instituições religiosas, levantando suspeitas sobre possível lavagem de dinheiro ou ocultação de patrimônio.
“Grandes igrejas” no radar da CPMI
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), integrante da CPMI, afirmou publicamente que a comissão já identificou indícios envolvendo “grandes igrejas e grandes pastores” no rastro do dinheiro desviado. Segundo ela, a investigação enfrenta resistência política e pressões para não avançar sobre nomes de grande influência nacional.
Parlamentares destacam, no entanto, que não há, até o momento, acusações formais ou denúncias judiciais contra igrejas ou líderes religiosos específicos. A CPMI se encontra na fase de aprofundamento das apurações, com pedidos de quebra de sigilos bancário e fiscal, além da análise de vínculos entre pessoas físicas e jurídicas.
Como funcionava o esquema
De acordo com as investigações, aposentados e pensionistas do INSS tiveram valores descontados mensalmente de seus benefícios a título de contribuições associativas ou serviços que não foram solicitados nem autorizados. Em muitos casos, as vítimas sequer sabiam da existência das entidades responsáveis pelos descontos.
Essas associações, por sua vez, teriam repassado parte dos recursos a terceiros, incluindo empresas, políticos, lobistas e agora instituições religiosas, segundo a linha investigativa da comissão.
Próximos passos
A CPMI pretende convocar representantes das entidades envolvidas, dirigentes de associações suspeitas e eventuais beneficiários dos repasses financeiros. O relatório final deverá ser encaminhado ao Ministério Público e à Polícia Federal, com pedidos de indiciamento, caso sejam confirmadas irregularidades.
Integrantes da comissão reforçam que o objetivo não é investigar a fé ou a atuação religiosa, mas seguir o caminho do dinheiro público desviado e responsabilizar quem eventualmente tenha se beneficiado do esquema.
Impacto social
As fraudes investigadas atingem principalmente aposentados de baixa renda, muitos deles idosos, que tiveram seus benefícios reduzidos por anos sem perceber. Estimativas preliminares apontam que o prejuízo pode chegar a bilhões de reais, tornando o caso um dos maiores escândalos recentes envolvendo a Previdência Social.









































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