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Dona Beja estreia no Max e reacende debate sobre mito e história na formação de Minas Gerais

  • 1h
  • 2 min de leitura

Produção grandiosa revisita a trajetória de Ana Jacinta de São José e resgata lenda ligada à anexação do Triângulo Mineiro em 1816.


Imagem: Max/Divulgação.
Imagem: Max/Divulgação.

A nova versão de Dona Beja estreou no dia 2 de fevereiro na plataforma Max (antiga HBO Max) e já movimenta o público ao revisitar uma das figuras mais emblemáticas da história de Minas Gerais. A produção aposta em uma narrativa intensa, marcada por romance, poder, vingança e disputas políticas no Brasil do século XIX.


Com 40 capítulos e lançamento internacional, a novela é protagonizada por Grazi Massafera, que interpreta Ana Jacinta de São José, mulher que se tornou símbolo de beleza, independência e influência social na região de Araxá.


Produzida pela Floresta Produções e licenciada pela Warner Bros Discovery, a obra investiu pesado na recriação de época. Uma cidade cenográfica foi construída especialmente para ambientar o enredo colonial, além da confecção de milhares de figurinos que ajudam a compor o cenário do Brasil Império.


A personagem histórica por trás da ficção


Ana Jacinta nasceu em 1800 e viveu em Araxá, no interior de Minas Gerais. Sua história mistura fatos documentados e narrativas populares. Após ser raptada por um ouvidor da Coroa Portuguesa e, posteriormente, rejeitada pela sociedade local, Dona Beja construiu uma trajetória de autonomia e influência, desafiando os padrões morais da época.


Sua figura atravessou gerações como símbolo de força feminina em um período marcado pelo patriarcalismo e pela rigidez social.


O mito da anexação do Triângulo Mineiro



Um dos pontos que mais despertam curiosidade histórica envolve a suposta influência de Dona Beja na anexação do chamado Sertão da Farinha Podre* — atual Triângulo Mineiro — ao território de Minas Gerais, em 1816.


Naquele período, a região pertencia à Capitania de Goiás. A mudança administrativa ocorreu por decisão da Coroa Portuguesa, atendendo a interesses econômicos e estratégicos locais. A tradição oral sustenta que o prestígio e os relacionamentos de Dona Beja teriam contribuído para essa articulação política.


No entanto, historiadores apontam que não há documentos oficiais que comprovem participação direta da personagem nesse processo. A anexação é atribuída principalmente a pressões de fazendeiros e lideranças regionais junto ao governo de Dom João VI.


Assim, a associação entre Dona Beja e o episódio é considerada parte do imaginário popular — um mito que fortaleceu sua aura de mulher poderosa e estrategista.


Ficção que dialoga com a história


Imagem: Max/Divulgação.
Imagem: Max/Divulgação.

A nova adaptação não apenas dramatiza a vida pessoal da protagonista, mas também insere no roteiro os conflitos políticos e sociais do período, explorando disputas territoriais, jogos de poder e a formação identitária de Minas Gerais.


Mais do que entretenimento, Dona Beja reacende discussões sobre como personagens históricas femininas foram retratadas ao longo do tempo — ora romantizadas, ora marginalizadas — e como suas narrativas ajudam a construir a memória cultural de uma região.


A produção chega com potencial para conquistar não apenas fãs de novelas, mas também o público interessado em história e identidade mineira.

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