top of page

Eleições 2026: 11 candidatos entram na disputa pelo Governo de Minas Gerais

  • há 4 minutos
  • 7 min de leitura

Registro das candidaturas encerra fase de definição das chapas; planos apresentados ao TSE mostram projetos distintos para enfrentar a crise fiscal, melhorar os serviços públicos e definir o futuro econômico do Estado.



Minas Gerais terá 11 candidatos na disputa pelo Governo do Estado nas eleições de 2026. Com o encerramento do prazo para registro das candidaturas em 15 de agosto, terminou também a etapa em que partidos e federações definiram oficialmente seus nomes e respectivas chapas.


Os pedidos de registro são analisados pela Justiça Eleitoral, e as informações oficiais, incluindo dados biográficos, partidos, composição das chapas e planos de governo, estão disponíveis no sistema DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.


A eleição reúne nomes conhecidos da política mineira, como Alexandre Kalil, Cleitinho Azevedo, Patrus Ananias e Mateus Simões, além de candidatos com trajetórias empresariais, sindicais, acadêmicas e ligadas aos movimentos sociais.

Os programas registrados no TSE revelam diferenças importantes, principalmente em relação à dívida do Estado, privatizações, mineração, saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e desenvolvimento regional.



Alexandre Kalil: reconstrução do Estado e retomada dos investimentos


Ex-prefeito de Belo Horizonte e ex-presidente do Atlético Mineiro, Alexandre Kalil, do PDT, apresenta um programa denominado "Minas de Volta a Funcionar".

O plano defende a recuperação da capacidade financeira e de investimento do Estado, com prioridade para saúde, educação, segurança, infraestrutura e desenvolvimento regional.


Entre os principais objetivos apresentados estão a renegociação das condições do Propag, recuperação das rodovias, redução das desigualdades regionais, fortalecimento dos municípios e ampliação da capacidade de investimento público.

O programa também propõe uma política de desenvolvimento econômico baseada na indústria, agropecuária, agroindústria, mineração, turismo, ciência, tecnologia e inovação.


Na saúde, Kalil defende a regionalização dos serviços e o fortalecimento da coordenação estadual do SUS. Na educação, propõe ações voltadas à alfabetização, recuperação da aprendizagem e permanência dos estudantes no ensino médio.

O plano também prevê maior integração digital do governo, uso de dados e inteligência artificial na administração pública e planejamento de longo prazo com uma visão de Minas até 2040.


Ben Mendes: defesa do consumidor chega à disputa estadual


O jornalista, advogado e empresário Ben Mendes, do partido Missão, entra na disputa com uma trajetória construída principalmente na defesa dos direitos do consumidor.

Sua candidatura representa uma das novas forças da direita mineira e aposta em temas como combate à corrupção, segurança pública, redução da burocracia e maior eficiência da administração estadual.


Ben Mendes também pretende levar para o governo estadual sua experiência de fiscalização e defesa dos consumidores, defendendo uma atuação mais rigorosa do poder público diante de empresas e prestadores de serviços.


Cleitinho Azevedo: redução de impostos e discurso contra privilégios


O senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, protagonizou uma das maiores reviravoltas da corrida eleitoral. Depois de anunciar que não disputaria o governo, o senador voltou atrás e acabou sendo oficializado pelo partido. O ex-prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, integra a chapa como candidato a vice.


O discurso de Cleitinho está concentrado na redução de impostos, combate a privilégios, segurança pública e diminuição de despesas consideradas desnecessárias.


A situação fiscal de Minas é outro dos principais temas de sua campanha. O senador defende diálogo com o governo federal para buscar uma solução para a dívida estadual e afirma que pretende montar uma equipe técnica para administrar o Estado.


No primeiro debate entre os candidatos, realizado pela Band em 16 de agosto, Cleitinho defendeu a negociação com o próximo governo federal como caminho para enfrentar o problema da dívida.


Flávio Roscoe: indústria, investimentos e menor burocracia


O empresário e ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, Flávio Roscoe, representa o PL na eleição. Sua candidatura tem como eixo o desenvolvimento econômico, com destaque para a indústria, atração de investimentos, geração de empregos, infraestrutura e redução da burocracia.


Roscoe defende uma maior participação do setor privado na prestação de serviços e se posiciona favoravelmente a privatizações.


No primeiro debate, apoiou a privatização da Copasa e defendeu medidas para melhorar o ambiente de negócios no Estado. A chapa tem Ellen Miziara como candidata a vice-governadora.


Gabriel Azevedo: descentralização e governos regionais


Ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo, do MDB, apresenta uma proposta voltada à descentralização da administração estadual. Uma das principais ideias de seu programa é a criação de estruturas de governo regional, com o objetivo de aproximar o Estado dos municípios e das diferentes regiões mineiras.


O candidato também defende investimentos em ferrovias, infraestrutura, segurança, educação, saúde e desenvolvimento regional.


Outro ponto de destaque é a posição contrária à venda da Cemig. No debate da Band, Gabriel também criticou benefícios fiscais concedidos a grandes empresas.


Henrique Áreas: programa socialista do PCO


Henrique Áreas, do Partido da Causa Operária (PCO), representa uma das candidaturas mais à esquerda na disputa. O programa do partido se posiciona contra privatizações e defende maior presença estatal na economia, fortalecimento dos serviços públicos e ampliação dos direitos dos trabalhadores.

A candidatura também propõe mudanças estruturais na política econômica e maior controle público sobre setores considerados estratégicos.


Indira Xavier: moradia e movimentos populares


A candidata da Unidade Popular (UP), Indira Xavier, possui trajetória ligada aos movimentos populares, especialmente à luta por moradia. Sua campanha prioriza políticas sociais, habitação popular, direitos das mulheres, combate à violência contra a mulher e fortalecimento dos serviços públicos.


A candidatura representa uma esquerda ligada aos movimentos sociais e defende maior participação popular nas decisões do governo.


Mateus Simões: continuidade do governo Zema


Atual governador de Minas Gerais, Mateus Simões, do PSD, disputa a eleição buscando dar continuidade a políticas iniciadas durante o governo de Romeu Zema.

Simões assumiu o governo em março de 2026, após a saída de Zema para disputar a Presidência da República.


Seu programa dá destaque ao equilíbrio das contas públicas, solução da dívida estadual, segurança, infraestrutura, educação profissional, geração de empregos e desenvolvimento econômico.


A manutenção e ampliação de programas de formação profissional estão entre as prioridades apresentadas pelo governo.


Na questão fiscal, Simões defende uma renegociação da dívida de Minas e responsabiliza o governo federal por parte das dificuldades enfrentadas pelo Estado. Essa foi uma das principais divergências apresentadas no primeiro debate eleitoral.


Patrus Ananias: políticas sociais e redução das desigualdades


Ex-prefeito de Belo Horizonte, ex-deputado federal e ex-ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, do PT, representa o campo ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


Sua candidatura prioriza políticas sociais, combate à pobreza, saúde, educação, geração de emprego e redução das desigualdades regionais.


A experiência no Ministério do Desenvolvimento Social, especialmente na implantação e expansão de políticas de transferência de renda, é um dos principais elementos da trajetória política apresentada pelo candidato.


Patrus também defende maior participação do Estado na promoção do desenvolvimento econômico e social.


Rafael Duda: mineração sob controle dos trabalhadores


O candidato do PSTU, Rafael Duda, possui trajetória ligada ao movimento sindical dos trabalhadores da mineração.


Sua principal bandeira é a defesa da estatização do setor mineral, acompanhada de maior controle dos trabalhadores e das comunidades sobre a atividade.

O programa também se posiciona contra privatizações e prioriza direitos trabalhistas, serviços públicos, proteção ambiental e mudanças estruturais no modelo econômico.


Túlio Lopes: educação pública e servidores


Professor e dirigente sindical, Túlio Lopes, do PCB, apresenta uma candidatura centrada na defesa da educação pública, dos servidores e dos movimentos sociais.

O candidato se posiciona contra privatizações e defende maior controle público sobre atividades econômicas estratégicas.


A mineração também aparece entre os temas prioritários, com defesa de maior fiscalização e tributação do setor.


Um dos principais pontos de disputa será a dívida de Minas


Embora apresentem projetos políticos bastante diferentes, os candidatos encontram um problema comum: a situação fiscal do Estado.

A dívida de Minas Gerais com a União tornou-se um dos principais temas da campanha. No primeiro debate, realizado em 16 de agosto, praticamente todos os principais candidatos apresentaram propostas ou críticas relacionadas ao Propag e à capacidade de investimento do Estado.


Mateus Simões defendeu a renegociação e criticou as condições impostas ao Estado. Cleitinho pregou diálogo com o próximo governo federal. Kalil afirmou que será necessário rever as condições do acordo. Flávio Roscoe defendeu uma política econômica mais favorável ao setor privado, enquanto Gabriel Azevedo criticou benefícios fiscais e a possibilidade de venda da Cemig.


A discussão é central porque a capacidade de Minas investir em estradas, hospitais, escolas, segurança, saneamento e infraestrutura está diretamente relacionada à situação das contas públicas.


Cemig, Copasa e mineração dividem os candidatos


Outro grande eixo da eleição será o futuro das empresas e riquezas estratégicas de Minas. De um lado, candidatos como Flávio Roscoe defendem maior participação privada e privatizações.


De outro, Gabriel Azevedo se posiciona contra a venda da Cemig, enquanto candidatos da esquerda defendem uma presença ainda maior do Estado na economia.


A mineração também divide os concorrentes. Enquanto candidatos ligados ao setor empresarial defendem redução da burocracia e atração de investimentos, nomes da esquerda defendem maior controle público, aumento da tributação e, em alguns casos, estatização do setor.


O que realmente está registrado como compromisso?


A diferença entre uma declaração feita durante a campanha e um compromisso formal é importante.


O documento que deve servir como principal referência para o eleitor é o plano de governo apresentado à Justiça Eleitoral. O TSE disponibiliza os programas no DivulgaCandContas, juntamente com os dados dos candidatos e das chapas.

Por isso, as propostas apresentadas nesta reportagem foram organizadas prioritariamente a partir dos programas registrados ou de declarações públicas recentes dos candidatos. Quando uma ideia ainda não está detalhada no plano oficial, ela deve ser entendida como uma proposta ou posicionamento de campanha, e não como uma promessa cuja execução esteja garantida.


Uma eleição marcada pela diversidade de projetos


A disputa pelo Palácio Tiradentes apresenta um cenário bastante fragmentado.

Há candidatos que defendem a continuidade da atual política econômica, outros que propõem uma mudança administrativa, nomes que apostam no fortalecimento do Estado e candidatos que defendem transformações profundas no modelo econômico.


No centro das discussões estarão questões que afetam diretamente a população mineira: quanto o Estado conseguirá investir, como a dívida será paga, qual será o futuro da Cemig e da Copasa, como melhorar as rodovias, reduzir filas na saúde, elevar a qualidade da educação e combater a criminalidade.


O primeiro turno acontece em 4 de outubro de 2026. Caso nenhum candidato obtenha a maioria necessária, o segundo turno será realizado em 25 de outubro.

Até lá, a principal tarefa do eleitor será comparar não apenas os discursos, mas também os planos registrados, a trajetória de cada candidato, a capacidade administrativa demonstrada e a viabilidade financeira das propostas apresentadas.


A eleição de 2026, portanto, coloca diante dos mineiros uma escolha que vai muito além dos nomes que estarão na urna: trata-se de decidir qual projeto de Estado deverá comandar Minas Gerais nos próximos quatro anos.

Comentários


ÚLTIMAS NOTÍCIAS!

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

IEF_BANNER12_edited.jpg

©2020 por Ibiá em Foco. Todos os direitos reservados.

bottom of page