Padre Eustáquio: a breve passagem que deixou uma marca eterna em Ibiá
- há 15 horas
- 3 min de leitura
Antes de ser conhecido em todo o Brasil como o “Missionário da Saúde e da Paz”, Padre Eustáquio passou por Ibiá. Sua permanência na cidade foi breve, mas deixou marcas que permanecem até hoje e ajudou a lançar as bases de uma das instituições mais importantes do município: a Santa Casa de Misericórdia Padre Eustáquio.

Em 12 de fevereiro de 1942, o sacerdote holandês Eustáquio van Lieshout chegou a Ibiá para assumir provisoriamente a Paróquia São Pedro de Alcântara. Ele havia passado anteriormente por outras cidades de Minas Gerais e já era conhecido pela dedicação aos enfermos e pela fama de suas bênçãos e supostas curas.
Sua passagem por Ibiá durou menos de dois meses. Mesmo assim, a presença do religioso rapidamente chamou a atenção dos moradores e de pessoas de toda a região. Registros históricos citam a procura de fiéis de localidades como Araxá, São Gotardo, Campos Altos, Tiros e Pratinha.
Padre Eustáquio era conhecido por dedicar especial atenção às pessoas doentes e necessitadas. Durante sua passagem pela cidade, além das atividades religiosas, deixou encaminhada uma iniciativa que teria consequências para as futuras gerações de ibiaenses: a criação de uma Santa Casa.
O Livro de Tombo da Paróquia São Pedro de Alcântara registra uma importante anotação atribuída ao próprio sacerdote. Segundo a documentação preservada pela Congregação dos Sagrados Corações, houve a doação de uma área de aproximadamente três alqueires para a construção de uma Santa Casa e um asilo. O registro também menciona outro terreno doado à matriz em benefício da Santa Casa.
O projeto não terminou com a saída do religioso.
Anos depois, a iniciativa se transformaria na Santa Casa de Misericórdia Padre Eustáquio. A Prefeitura de Ibiá registra 1956 como o ano de inauguração da instituição, que permanece até hoje atendendo a população do município.
A ligação entre o sacerdote e a comunidade também aparece em relatos de pessoas que viveram naquele período. Em registros de memória histórica, há depoimentos de antigos moradores que afirmam ter convivido com Padre Eustáquio e lembram de suas visitas às casas e de suas bênçãos.
Um desses relatos é especialmente simbólico. Um antigo morador conta que foi coroinha do sacerdote quando tinha entre seis e oito anos e que Padre Eustáquio chegou a visitar sua casa e abençoar sua mãe.
A fama de taumaturgo do sacerdote ganhou proporções ainda maiores em Poá, no estado de São Paulo, e posteriormente em Belo Horizonte. O Vaticano reconheceu em seu processo de beatificação um caso de cura atribuído à sua intercessão.
Depois de deixar Ibiá, Padre Eustáquio seguiu para Belo Horizonte, onde continuou seu trabalho religioso e passou a atender multidões que buscavam suas bênçãos.
Sua trajetória, porém, seria interrompida pouco mais de um ano depois.
Padre Eustáquio morreu em 30 de agosto de 1943, em Belo Horizonte, aos 52 anos. Segundo registros do Livro de Tombo da Paróquia dos Sagrados Corações, ele morreu às 10h45 da manhã. Antes de morrer, teria renovado seus votos religiosos e recebido os últimos sacramentos.
Sua morte provocou comoção. Milhares de pessoas foram prestar as últimas homenagens ao sacerdote, que já era considerado santo pelo povo.
Décadas depois, sua história continuaria ligada a Ibiá.
A Santa Casa que ele ajudou a idealizar passou a carregar seu nome. A praça onde está localizada também recebeu o nome do religioso. E a memória de sua passagem permanece presente na história da cidade.
Padre Eustáquio ficou menos de dois meses em Ibiá. Mas, em tão pouco tempo, deixou uma semente que atravessou gerações.
Hoje, quando um ibiaense entra na Santa Casa Padre Eustáquio, talvez nem todos saibam que a história daquela instituição começou a ser desenhada durante a breve passagem de um sacerdote holandês pela cidade, em 1942.
Uma passagem curta.
Um legado permanente.














































Comentários