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Tarifaço dos EUA pode atingir em cheio a economia de Minas Gerais e gerar reflexos no Alto Paranaíba

  • há 4 horas
  • 3 min de leitura

Estado é um dos mais expostos às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos, com riscos para a cafeicultura, siderurgia, indústria e geração de empregos; produtores e empresas da região de Ibiá também podem sentir os impactos



O novo pacote de tarifas anunciado pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros acendeu um alerta em Minas Gerais. Considerado um dos estados mais dependentes das exportações para o mercado norte-americano, Minas pode enfrentar perdas significativas na economia caso as medidas permaneçam em vigor por um período prolongado.


Estudo divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) aponta que o estado está entre os mais vulneráveis aos efeitos do chamado "tarifaço", devido ao peso das exportações de café, ferro, aço, ferroligas e produtos industrializados destinados aos Estados Unidos.


Em 2024, Minas Gerais exportou cerca de US$ 4,6 bilhões para o mercado norte-americano, consolidando-se como o terceiro maior estado exportador para os EUA, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. O volume representa aproximadamente 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) mineiro.


A principal preocupação está na cafeicultura. Minas Gerais responde pela maior produção de café do Brasil e tem os Estados Unidos como um de seus principais compradores.


Segundo a FIEMG, cerca de um terço de todas as exportações mineiras destinadas aos Estados Unidos corresponde ao café. Com a elevação das tarifas de importação, o produto brasileiro perde competitividade, abrindo espaço para concorrentes de outros países produtores.


Na prática, isso pode resultar em redução das exportações, queda na demanda, pressão sobre os preços pagos aos produtores e menor movimentação financeira nas cooperativas do setor.


Municípios como Patrocínio, Campos Altos, Monte Carmelo, Guaxupé, Três Pontas e Varginha figuram entre as regiões que podem sentir os primeiros reflexos.


Indústria do aço também preocupa


Outro segmento fortemente impactado é a siderurgia. Minas Gerais concentra importantes polos produtores de ferro-gusa, aço e ferroligas, produtos amplamente exportados para os Estados Unidos.


As estimativas da FIEMG indicam que a produção desses materiais poderá registrar retração próxima de 12% caso as tarifas sejam mantidas.


As maiores consequências devem atingir empresas instaladas no Vale do Aço, Sete Lagoas e na região Central do estado, afetando investimentos, produção e geração de empregos.


Prejuízo pode ultrapassar R$ 21 bilhões


As projeções da Federação das Indústrias apontam que, em um cenário-base, Minas Gerais poderá registrar perdas econômicas expressivas.


Entre os principais impactos estimados estão:


  • redução de até R$ 21,5 bilhões no PIB estadual;

  • retração aproximada de 2% da economia mineira;

  • perda de cerca de R$ 3,16 bilhões em massa salarial;

  • eliminação de aproximadamente 187 mil empregos ao longo dos próximos anos.


Caso haja uma escalada nas tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, com novas retaliações de ambos os lados, as perdas poderão ser ainda maiores. Em um cenário extremo, a FIEMG estima prejuízos superiores a R$ 60 bilhões e impacto sobre mais de 440 mil postos de trabalho.


Reflexos também podem chegar ao Alto Paranaíba


Embora municípios do Alto Paranaíba, como Ibiá, não tenham grande concentração de indústrias siderúrgicas, especialistas avaliam que a economia regional também poderá sentir os efeitos indiretos da medida.


A região possui forte ligação com o agronegócio, especialmente a produção de café e outras commodities agrícolas. Uma eventual redução nas exportações pode diminuir a circulação de recursos nas cooperativas, reduzir investimentos privados e afetar empresas ligadas ao transporte, armazenagem, logística e prestação de serviços.


Cidades como Ibiá, Patrocínio, Araxá, Campos Altos, Monte Carmelo e Carmo do Paranaíba integram uma das mais importantes regiões produtoras do estado e acompanham com preocupação os desdobramentos da política comercial norte-americana.


Entidades defendem diálogo


Diante do cenário, representantes da indústria brasileira defendem que o governo federal priorize a negociação diplomática para evitar uma guerra comercial entre os dois países.


Na avaliação da FIEMG, uma solução negociada tende a reduzir os impactos para empresas, trabalhadores e consumidores. A entidade alerta que medidas de retaliação em larga escala podem ampliar ainda mais os prejuízos para a economia brasileira.


Cenário ainda depende das negociações


Apesar das projeções, especialistas ressaltam que os impactos efetivos dependerão da duração das tarifas, da evolução das negociações entre Brasil e Estados Unidos e da capacidade das empresas brasileiras de ampliar mercados em outras regiões, como Europa, Ásia e Oriente Médio.


Enquanto isso, empresários, produtores rurais e exportadores mineiros acompanham atentamente os próximos passos das autoridades dos dois países, na expectativa de que uma solução diplomática minimize os efeitos sobre a economia estadual.


Informações: Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), dados de comércio exterior e análises de especialistas em economia e comércio internacional.

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