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Denúncia de lençóis com sangue em hemodiálise leva Corregedoria de São Gotardo a acionar Ministério Público

  • há 13 minutos
  • 3 min de leitura

O caso envolve alegações de que pacientes em tratamento de hemodiálise estariam recebendo lençóis manchados de sangue para lavar em casa, o que teria exposto usuários do SUS a um risco sanitário significativo.


Imagem: SG Agora
Imagem: SG Agora

A Corregedoria‑Geral do Município de São Gotardo encaminhou ao Ministério Público de Minas Gerais uma denúncia que aponta possíveis irregularidades na gestão da unidade de hemodiálise do município, incluindo a suspeita de ato de improbidade administrativa contra a Secretaria Municipal de Saúde. O caso envolve relatos de que pacientes em tratamento hemodialítico estariam recebendo lençóis sujos de sangue para lavar em casa, o que teria exposto usuários do SUS a risco sanitário relevante.


Segundo informações divulgadas pela Corregedoria, a apuração começou após uma série de denúncias coletivas encaminhadas à ouvidoria municipal. Nas manifestações, pacientes e familiares relatavam que eram orientados a retirar da unidade próprios lençóis usados durante as sessões de hemodiálise e levá‑los para lavar na residência. Os materiais apresentavam manchas de sangue e outras impurezas, configurando potencial risco biológico para pacientes, familiares e para o ambiente doméstico.


A Corregedoria então instaurou um processo administrativo para apurar a conduta da Secretaria de Saúde e dos responsáveis pela operação do serviço de hemodiálise.


Proibição anterior e suspeita de descumprimento


Imagem: Redes Sociais
Imagem: Redes Sociais

Em dezembro de 2025, o prefeito de São Gotardo, Makoto Edison Sekita (PSD), já teria proibido formalmente a prática de emprestar lençóis aos pacientes para lavagem em casa, determinando a suspensão da distribuição e a adoção de rotinas adequadas de higienização. No entanto, denúncias recebidas em janeiro de 2026 indicaram que a prática continuava, o que levantou suspeitas de descumprimento de ordenação municipal e possível omissão na fiscalização interna.


Diante desses indícios, a Corregedoria classificou a situação como de risco sanitário relevante, especialmente por se tratar de pacientes com condições crônicas e maior vulnerabilidade imunológica, que dependem de um ambiente rigorosamente higienizado durante as sessões de hemodiálise.


Improbidade e remessa ao Ministério Público


A representação encaminhada ao Ministério Público de Minas Gerais cita a possibilidade de ato de improbidade administrativa, com foco em violações a princípios como legalidade, impessoalidade e segurança do serviço público de saúde. A Corregedoria ressalta que a secretária de Saúde é ocupante de cargo político, o que limita a punibilidade por via administrativa, justificando o encaminhamento ao MPMG para análise de responsabilização civil e, se for o caso, penal.


O Ministério Público passou a analisar, entre outros pontos, se houve má gestão de recursos públicos, ausência de protocolo claro de fornecimento ou terceirização de higienização de materiais e se a conduta expôs indevidamente pacientes em vulnerabilidade.


Contexto da unidade de hemodiálise


O Centro de Hemodiálise de São Gotardo é referência regional e passou recentemente por ampliações para atender à demanda crescente de pacientes da região. A Santa Casa/Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Gotardo, responsável pela operação do serviço, reforça que a hemodiálise é ambulatorial, com uso de poltronas higienizadas com álcool antes e depois de cada sessão, seguindo protocolos de limpeza e biossegurança.


A denúncia, porém, concentra‑se não na higienização da poltrona, mas no uso de lençóis de uso individual e na condução de que esses materiais fossem levados para lavagem em casa, o que contraria padrões sanitários recomendados para serviços de hemodiálise.


Medidas em curso e desdobramentos


A Corregedoria determinou o fim imediato da prática de fornecer lençóis aos pacientes e a revisão dos procedimentos internos de fornecimento e higienização. O MPMG pode, a partir da análise, propor procedimento administrativo ou inquérito civil, eventual ação de improbidade administrativa e, se necessário, medidas de saúde pública para reforçar a segurança do serviço.


O caso chama atenção para a importância de transparência e fiscalização contínua na gestão de serviços de saúde altamente sensíveis, como a hemodiálise, onde falhas de procedimento podem ter impacto direto na vida e na saúde de pacientes crônicos.



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