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STF nega buscas contra Flávio Bolsonaro após saída do Brasil; governo Trump confirma vistos para senador e família

há 4 horas
5 min de leitura

Senador deixou o país após determinação de Alexandre de Moraes para entregar os passaportes. Lula classificou a saída como “ato vergonhoso”, enquanto a chegada aos Estados Unidos e a emissão de vistos ampliam a repercussão política do caso.


Momento da chegada de Flávio Bolsonaro nos EUA. Imagem: CNN Brasil
Momento da chegada de Flávio Bolsonaro nos EUA. Imagem: CNN Brasil

O caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, ganhou novos desdobramentos nesta quarta-feira (28). Depois de deixar o Brasil e seguir para os Estados Unidos, o parlamentar passou a ser alvo de questionamentos sobre o cumprimento de uma ordem judicial, enquanto o governo do presidente americano Donald Trump confirmou que emitirá vistos para ele e seus familiares.


Na manhã desta quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) também divulgou uma nota para desmentir informações sobre uma suposta operação de busca e apreensão em endereços ligados ao senador. A manifestação ocorreu após notícias de que agentes da Polícia Federal estariam na residência de Flávio, localizada no Lago Sul, em Brasília.


Segundo o STF, é falsa a informação sobre a existência ou o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra o parlamentar ou seus endereços. O tribunal afirmou que não havia decisão judicial nesse sentido nem realização de diligências policiais dessa natureza.


Ordem de Alexandre de Moraes e saída do Brasil


A saída de Flávio Bolsonaro ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes determinar que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal no prazo de 24 horas e proibiu sua saída do território nacional.


A decisão foi tomada no contexto de uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o parlamentar e o advogado Willer Tomaz, apontado como amigo próximo do senador. Os investigados negam irregularidades.


De acordo com informações divulgadas pela imprensa, a Polícia Federal apresentou ao STF elementos que indicariam risco concreto de Flávio deixar o país. Entre os fatores considerados estavam a permanência de Willer Tomaz no exterior, a presença de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e declarações anteriores do irmão de Flávio defendendo que ele deixasse o Brasil caso perdesse a eleição presidencial.


A ordem judicial foi comunicada ao senador na segunda-feira (26), um dia após a vitória de Lula no segundo turno. Flávio afirmou inicialmente que permaneceria no Brasil e que cumpriria a determinação, mas não entregou os documentos dentro do prazo estabelecido.


Na terça-feira (27), a Polícia Federal cancelou os passaportes do parlamentar, conforme noticiado pela Agência Brasil. A Reuters confirmou posteriormente que Flávio havia seguido para os Estados Unidos, citando um aliado próximo do senador e uma fonte do governo americano.


A Polícia Federal informou que o senador não teria deixado o Brasil por um posto regular de controle migratório.


Chegada aos Estados Unidos e vistos para a família


A chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos foi noticiada na terça-feira (27), após relatos de pessoas próximas ao senador. Segundo a Folha de S. Paulo, ele teria chegado ao país por volta das 16h20, acompanhado da esposa, Fernanda, e das duas filhas, sendo recebido em Miami pelo irmão Eduardo Bolsonaro.


A rota utilizada para deixar o Brasil foi inicialmente cercada de incertezas, com relatos sobre uma possível passagem pela Argentina e o uso de uma aeronave particular.


A Agência Brasil continuou acompanhando o deslocamento da família e informou que uma aeronave com Flávio e seus familiares seguia para Miami. A repercussão aumentou depois que o governo Donald Trump confirmou a emissão de vistos para o senador e seus familiares. A informação foi divulgada pela Folha de S. Paulo e pela CNN Brasil, com base em declarações atribuídas a autoridades americanas.


Segundo as reportagens, a administração americana estava ciente da situação judicial de Flávio e autorizaria sua entrada no país. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, foi citado em relatos de pessoas próximas à família Bolsonaro como possível participante da articulação para a viagem. Entretanto, os detalhes dessa suposta atuação não foram integralmente confirmados por manifestações oficiais públicas.


É importante destacar que a emissão de vistos não equivale à concessão de asilo político. Até a manhã desta quarta-feira, não havia confirmação oficial, nas fontes consultadas, de que Flávio Bolsonaro tivesse recebido asilo nos Estados Unidos.


O que disse Donald Trump


O presidente americano Donald Trump também entrou no centro da repercussão política após comentar o resultado das eleições brasileiras. Segundo reportagens publicadas após o segundo turno, Trump afirmou gostar de Lula, mas declarou que a eleição brasileira parecia ter sido fraudada, sem apresentar provas para sustentar essa alegação.


A declaração provocou questionamentos sobre a posição do governo americano diante do resultado eleitoral brasileiro e aumentou a preocupação com possíveis tensões diplomáticas entre Brasília e Washington.


Em relação à entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos, a CNN Brasil informou que um assessor de Trump afirmou que o presidente americano havia autorizado a entrada do senador. A emissão dos vistos para Flávio e sua família também foi confirmada por autoridades americanas ouvidas pela imprensa.


Lula classifica saída como “ato vergonhoso”


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou publicamente a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil na terça-feira (27), durante uma comemoração de seu aniversário de 81 anos, no Palácio da Alvorada.


Lula classificou o episódio como um “ato vergonhoso” e questionou a decisão do senador de deixar o país após receber a determinação judicial para entregar os passaportes.


“O cidadão que sai escondido do seu país é porque deve alguma coisa”, declarou o presidente, segundo a Agência Brasil.

Lula também afirmou que Flávio deveria ter cumprido a ordem judicial e comparou a situação à sua própria experiência, quando se entregou à Polícia Federal em 2018, durante a Operação Lava Jato. “Quem não deve, não teme”, acrescentou o presidente.


As declarações ampliaram o embate político entre o governo reeleito e o grupo político ligado à família Bolsonaro, especialmente diante da confirmação da ida do senador aos Estados Unidos e da decisão americana de emitir vistos para seus familiares.


Investigações continuam no STF


A saída do Brasil não encerra as investigações contra Flávio Bolsonaro. Segundo a Agência Brasil, além do inquérito relacionado às suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, o senador também é investigado em um caso envolvendo o Banco Master, sob relatoria do ministro André Mendonça.


Nesse segundo caso, a Polícia Federal identificou mensagens relacionadas a um pedido de recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção do filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.


Flávio reconheceu a autoria das mensagens e do áudio divulgado, mas nega irregularidades e afirma que se tratava de uma captação privada de recursos. As suspeitas ainda precisam ser apuradas pelas autoridades competentes. A existência de investigação não significa, por si só, que houve comprovação de crime.


Caso pode ampliar tensão entre Brasil e Estados Unidos


A saída de Flávio Bolsonaro, a determinação judicial descumprida, a confirmação dos vistos americanos e as declarações de Lula e Trump colocaram o episódio no centro do debate político nacional e internacional.


O caso também levanta questões sobre o cumprimento de decisões judiciais brasileiras, a atuação de autoridades estrangeiras e os possíveis efeitos diplomáticos da aproximação entre integrantes da família Bolsonaro e o governo americano.


Nesta quarta-feira (28), o STF procurou esclarecer uma informação que circulava sobre uma suposta operação policial contra o senador, negando a existência de mandados de busca e apreensão. Enquanto isso, as investigações em andamento continuam, e novos desdobramentos poderão esclarecer as circunstâncias da saída do parlamentar e as consequências jurídicas do caso.


O Ibiá em Foco continuará acompanhando os desdobramentos e atualizará as informações conforme novas manifestações oficiais forem divulgadas.


Fontes: Agência Brasil, Reuters, Folha de S.Paulo e CNN Brasil.


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