Lula diz que Minas pode virar “cemitério de obras paralisadas” se não for reeleito e manda Cleitinho ficar “quietinho”
Durante ato de campanha em Juiz de Fora, presidente associou a continuidade dos investimentos federais à sua reeleição; governador eleito reagiu, reafirmou apoio a Flávio Bolsonaro e apresentou cobranças relacionadas à dívida mineira e à jornada de trabalho.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protagonizou um momento polêmico ao afirmar que Minas Gerais poderá se transformar em um “cemitério de obras paralisadas” caso ele não seja reeleito. Durante um ato de campanha realizado em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, na sexta-feira (16), o presidente também dirigiu uma mensagem ao governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos), aconselhando-o a ficar “quietinho”, mesmo sem apoiar sua candidatura à Presidência da República.
As declarações ocorreram em meio à disputa do segundo turno das eleições presidenciais, que coloca Lula frente a frente com Flávio Bolsonaro (PL), candidato apoiado por Cleitinho. A fala do presidente provocou repercussão política e foi seguida por uma manifestação do governador eleito, que reafirmou seu posicionamento eleitoral.
“Se a gente não ganha, tudo que tá investido em Minas Gerais vai ser paralisado. Isso aqui vai ficar um cemitério de obras paralisadas”, declarou Lula.
Ao se referir a Cleitinho, o presidente afirmou que o governador eleito não precisaria apoiá-lo, mas deveria evitar uma atuação contrária à sua candidatura.
“Eu tenho certeza que o Cleitinho é esperto. Ele não precisa me apoiar, ele só tem que ficar quietinho, porque ele só tem a ganhar no final das eleições”, disse Lula.
Cleitinho reage e reafirma apoio a Flávio Bolsonaro

Após a declaração do presidente, Cleitinho se manifestou nas redes sociais e reafirmou seu apoio a Flávio Bolsonaro. O governador eleito argumentou que sua posição já havia sido anunciada anteriormente e não foi motivada pela fala de Lula.
“Desde janeiro desse ano que eu já me posicionei, que eu estou apoiando o Flávio Bolsonaro. Tá registrado até na tribuna do Senado”, declarou.
Cleitinho justificou sua escolha pela identificação com a direita e pela gratidão ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que, segundo ele, o apoiou durante sua trajetória política.
O governador eleito também afirmou que não pediu cargos ou ministérios em troca do apoio ao candidato do PL. Segundo ele, apresentou duas reivindicações que considera importantes para o país e para Minas Gerais.
Fim da escala 6x1 e dívida de Minas estão entre as cobranças
Uma das demandas apresentadas por Cleitinho é o apoio ao fim da escala de trabalho 6x1, tema que também está no centro do debate político nacional.
A segunda reivindicação envolve a dívida bilionária de Minas Gerais com a União. Cleitinho defende que os pagamentos possam ser convertidos em investimentos em áreas como infraestrutura, segurança pública e saúde, respeitadas as regras legais.
Segundo o governador eleito, Flávio Bolsonaro se comprometeu a discutir a questão caso vença a eleição presidencial. Até o momento, porém, não há indicação de que a proposta tenha sido formalmente implementada.
Cleitinho também sinalizou que pretende procurar o presidente eleito, independentemente do resultado do segundo turno, para tratar das demandas do estado.
O episódio evidencia o confronto político entre o presidente e o governador eleito e amplia o debate sobre a continuidade dos investimentos federais no estado. Também coloca em pauta a relação entre o próximo governo mineiro e a futura Presidência da República, especialmente diante da dívida estadual com a União e das demandas por investimentos em serviços públicos.









































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