Vereadora de cidade mineira é presa suspeita de mandar matar fiscal de obras da Prefeitura
- há 5 horas
- 3 min de leitura
Carla da Pizzaria foi detida durante a segunda fase da Operação Juiz Paralelo. Investigações indicam que grupo mantinha um "tribunal do crime" e estaria envolvido em homicídios, tráfico de drogas e outros delitos em Esmeraldas na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu, na manhã desta sexta-feira (3), a vereadora de Esmeraldas Carla Nicolau de Oliveira Ferreira, conhecida como Carla da Pizzaria, suspeita de ser a mandante do assassinato do fiscal de obras da Prefeitura de Esmeraldas, Claudinei Pereira Nunes, morto em dezembro de 2025.
A parlamentar foi presa em sua residência, localizada no bairro Quintas São José, durante a segunda fase da Operação Juiz Paralelo, deflagrada pela Polícia Civil para desarticular uma organização criminosa investigada por homicídios, tráfico de drogas e outros crimes praticados na região.
Além da vereadora, outras três pessoas também foram presas durante a operação. As ordens judiciais foram cumpridas após meses de investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Homicídios, com apoio de equipes da Polícia Civil.
Segundo a Polícia Civil, as investigações foram divididas em duas etapas.
Na primeira fase, o foco foi identificar e prender os executores do homicídio de Claudinei. Com o avanço das apurações, os investigadores chegaram à segunda etapa da operação, concentrada em integrantes apontados como líderes da organização criminosa e suspeitos de participação no planejamento e na determinação da execução da vítima.
De acordo com a PCMG, os elementos reunidos durante a investigação indicam que Carla da Pizzaria teria atuado como mandante do crime, hipótese que será analisada pela Justiça ao longo da ação penal.
A polícia informou ainda que o grupo criminoso mantinha um chamado "tribunal do crime", estrutura clandestina utilizada para decidir punições, ordenar execuções e eliminar pessoas consideradas inconvenientes aos interesses da organização. Conforme os investigadores, Claudinei Pereira Nunes foi uma das vítimas desse esquema criminoso.
Crime ocorreu na frente da família
O assassinato aconteceu em dezembro de 2025, no bairro Quintas São José, em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Na ocasião, conforme registro da Polícia Militar, Claudinei dirigia seu veículo quando foi surpreendido por dois homens armados que saíram de uma área de mata próxima à via.
Os criminosos interceptaram o carro e efetuaram diversos disparos contra o servidor público, que morreu no local.
Dentro do veículo estavam a esposa e os três filhos da vítima. Apesar da violência do ataque, nenhum dos familiares ficou ferido.
Logo após o homicídio, familiares informaram às autoridades que Claudinei vinha recebendo ameaças de morte.
Segundo os relatos, ele enfrentava conflitos relacionados ao exercício da função de fiscal de obras da Prefeitura de Esmeraldas, atividade que envolvia fiscalização de construções irregulares, aplicação da legislação urbanística e adoção de medidas administrativas.
Essas informações passaram a integrar a linha investigativa da Polícia Civil, que aprofundou as apurações até identificar os suspeitos de participação no crime.
Durante a apresentação da operação, a Polícia Civil informou que a organização investigada é suspeita de atuar em diferentes modalidades criminosas, incluindo homicídios, tráfico de drogas, associação criminosa, intimidação de moradores e execução de ordens determinadas pelo chamado "tribunal do crime".
As investigações continuam para identificar outros possíveis integrantes do grupo e esclarecer completamente a estrutura da organização.
Após ser presa, Carla da Pizzaria foi encaminhada para os procedimentos de polícia judiciária e permanece à disposição da Justiça.
Até o momento, a defesa da vereadora não havia se manifestado publicamente sobre as acusações.
A Polícia Civil destacou que o inquérito prossegue e que novas diligências poderão ser realizadas para aprofundar a responsabilização de todos os envolvidos no homicídio.
Como determina a legislação brasileira, os investigados são considerados inocentes até eventual condenação definitiva pela Justiça.




































